Livro de ex-guitarrista revelará história “perdida” da Legião Urbana

09/07/2018

Kadu Lambach

Existe uma lacuna na história oficial da Legião Urbana compreendida entre sua formação em 1982 e a entrada do guitarrista Dado Villa-Lobos no ano seguinte, pouco antes da gravação do primeiro álbum. Embora breve, esse período embrionário de cerca de um ano rendeu brigas, prisão e uma inesperada separação devido a “divergências criativas”. Mais do que isso: foi importantíssimo na construção da identidade de uma das banda mais populares do país.

Os episódios e os detalhes desse processo são o chamariz de “Música Urbana – O Início de uma Legião”, livro que Kadu Lambach, o “Eduardo Paraná”, primeiro guitarrista da Legião Urbana, está preparando com o jornalista e economista André Luiz Molina (autor de “O Divã do Rock Brasileiro”). A obra, prevista para 2019, contará como o filho de funcionário público se mudou do Paraná para Brasília e encontrou sua turma com Renato Russo (vocal e baixo), Marcelo Bonfá (baterista) e Paulo Paulista (tecladista), afastando-se dela pouco tempo depois, ao menos musicalmente.

Na época, marcada pelas incertezas do fim da adolescência, Kadu tocava em uma banda de rock instrumental e sonhava viver de música, o que de fato ocorreu, mas não exatamente da forma que o amigo Renato, egresso do Aborto Elétrico, desejava. “Eu amava tocar com a Legião. A turma da Colina era a minha turma. Mas havia uma pressão por parte deles. Chegou um momento em que eles já não compravam minha estética de roqueiro clássico”, conta ao portal UOL Lambach, que fez carreira no jazz e MPB, chegando a tocar com Stanley Jordan, Jane Duboc e Belchior.

Fã de Led Zeppelin, Jimi Hendrix e Deep Purple, ele queria adicionar influências de guitarristas virtuosos à sonoridade da Legião Urbana, mas esse tipo de música era visto pelos ex-colegas como “ultrapassado”. “Lembro de ouvir Genesis e King Crimson com o Renato, mas ele sempre vinha e pedia ‘faz uns barulhos na guitarra aí’. Minha mãe era professora de piano clássico. Eu não entendia o que era aquilo, o conceito do noise, algo que depois virou até disciplina em Berklee [faculdade americana de música, uma das mais importantes do mundo]”.

Raridades

Trazendo raridades e materiais inéditos, “Música Urbana – O Início de uma Legião” terá prefácio escrito por Carmem Manfredini, irmã de Renato Russo. As histórias passam pela saída de Kadu, motivada por sua fidelidade à instrumental “O Cachorro”, considerada ‘progressiva’ demais para a Legião Urbana. O infame episódio do primeiro show em Patos de Minas, quando os integrantes tiveram de sair algemados após irritarem policiais com letras como a de “Música Urbana 2” (“Os PMs armados/vomitam música urbana””), será relembrado em minúcias.

Duas outras pepitas do livro: o “literário” primeiro press release da banda, redigido pelo então jornalista Renato Russo em forma de conto, em que detalha a personalidade de cada integrante (Paraná é descrito como “o virtuoso”), e fragmentos do que viriam a ser letras, incluindo a da rara “Provençal das Quadras”, primeira música ensaiada por Paraná como guitarrista na Legião Urbana e jamais lançada.

“Há muitas outras histórias do nosso início, dos primeiros ensaios. Fomos a primeira banda a alugar uma sala do prédio Radio Center, em Brasília, para ensaiar. Como a gente tocava muito alto, os funcionários ficaram revoltados. Uma mulher chegou dando esporro em mim e no Bonfá. Daí o Renato interveio e decidiu tentar uma outra abordagem, perguntando qual era o signo dela. (risos)”.

Aval de Giuliano Manfredini

O projeto do livro, ainda sem editora, está em fase de captação via Lei Rouanet. Será vendido como “o primeiro de um integrante original da Legião Urbana”. De acordo com o autor André Molina, o filho de Renato, Giuliano Manfredini, deu sinal verde para o lançamento, que leva o nome de outro projeto de Kadu, o show em que apresenta o repertório da Legião. Este ano, o músico já lançou duas faixas inéditas daquela época com letra de Renato Russo: “Medieval” e “Vício Moderno”, disponíveis em seu canal no YouTube.

“Eu tenho muito material. Letras que são um diamante e ficaram comigo por mais de 30 anos. Ainda não sei como vamos lançar isso, se vai ou não entrar no livro. Não falo com o Giuliano há muito tempo e não sei como está a coisa da briga dele com a família, mas a gente sabe que é preciso muito cuidado na hora de soltar material do Renato. A obra dele faz parte da história cultural do Brasil e merece todo o zelo”, entende Kadu Lambach, que manteve contato com o amigo por mais de uma década depois de deixar a Legião Urbana. Ele diz não guardar nenhum arrependimento da decisão. O que fica é só o pesar.

Fonte: UOL

Kadu Lambach - Vício Moderno 

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